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Cenário macroeconômico
No início de 2025, o governo dos Estados Unidos deu sinais de mudança na relação com o mundo, principalmente com a implementação de tarifas comerciais que culminaram no chamado Liberation Day em abril. Para o Brasil, os impactos destas ações foram variados: houve momentos de otimismo, com expectativa de impacto favorável, e também períodos de preocupação, diante do receio de endurecimento das medidas. O dólar, que chegou a bater os R$ 6,00, fechou o ano em R$ 5,48. Esse valor ficou significativamente abaixo do previsto pelo relatório Focus (Bacen) no final de 2024, que previa o fechamento do dólar em R$ 5,96.
A melhora do cenário internacional – com a percepção de que o tarifaço dos Estados Unidos teria um efeito menor do que o esperado na economia de outros países – somada a uma visão mais negativa sobre a economia e a situação fiscal americana, levou investidores a mover recursos para outras regiões do mundo. Esse cenário beneficiou especialmente os mercados emergentes, incluindo o Brasil.
Além da busca por diversificação geográfica, o Brasil também foi beneficiado pelo grande desconto dos ativos da bolsa brasileira frente a outros mercados e pela diferença elevada entre as taxas de juros brasileiros e os de outras economias, inclusive os Estados Unidos. Com isso, a tendência global de enfraquecimento do dólar foi intensificada, favorecendo a moeda brasileira.
Esse movimento do dólar influenciou positivamente também o comportamento da inflação, ajudando o Banco Central na sua missão de contê-la. No final de 2024, o mercado previa o IPCA fechando o ano de 2025 em 4,96%. Com a divulgação do resultado de dezembro, o IPCA fechou o ano em 4,26%. Em conjunto com a valorização do real, o recuo do preço de algumas commodities também ajudou no controle inflacionário.
A queda da inflação em relação ao que se esperava ao final de 2024 ajudou a reduzir as taxas de juros nominais, inclusive a inflação implícita. Mesmo assim, o efeito sobre as taxas de juros reais foi menos significativo. Como quase não houve redução das taxas – principalmente nas NTN‑Bs de prazo mais curto – o rendimento dos juros reais acabou ficando menos vantajoso quando comparado ao desempenho da Selic e das taxas pré‑fixadas no ano.
Mesmo com um cenário mais favorável, o controle da inflação se mostrou desafiador. Nesse contexto, a atuação do Banco Central teve um papel importante ao longo do ano ao trazer um discurso duro de combate à inflação, sendo seus movimentos coerentes com seu discurso. Ao longo de 2025, o Bacen continuou seu movimento de elevação da Selic, que saiu de 10,5% em agosto de 2024 para 15% em junho de 2025.
Com esse patamar de Selic, a taxa real de juros atingiu os 10%, historicamente alta. Porém, mesmo com esse nível de taxa e o Banco Central reafirmando seu compromisso de combate à inflação, indicando que a Selic continuaria nesse patamar por tempo prolongado, as expectativas de inflação não caminharam para o centro da meta. A política fiscal vista como desafiadora foi fator determinante para esse cenário, com medidas focadas no aumento de receita, limitações em relação ao direcionamento dos gastos e estímulo ao consumo.
Com o impulso da política fiscal do governo, a atividade econômica se manteve firme, mesmo com o patamar de juros elevado. Apenas no segundo semestre do ano essa passou a dar sinais de desaceleração – ainda assim, de forma desigual entre os setores. Os mais afetados foram os cíclicos e aqueles sensíveis ao crédito. Porém, dois pontos continuaram surpreendendo: (i) o crédito desacelerou menos do que se imaginava e (ii) o mercado de trabalho continuou aquecido. Com a atividade econômica resiliente, preços descontados e forte fluxo de capital estrangeiro, a bolsa brasileira valorizou 33,95% em 2025, o melhor resultado dos últimos 9 anos.
Em relação à economia global, a escalada tarifária entre Estados Unidos e diversos países gerou fortes incertezas, tanto em relação à economia dos outros países quanto da própria economia dos Estados Unidos. Com o tempo, porém, houve uma redução das tensões comerciais. Junto a isso, a inflação ficou mais controlada, muitos países flexibilizaram a política monetária e o dólar perdeu força – com isso, a economia mundial se mostrou mais resiliente do que o esperado inicialmente e as posições de risco nas carteiras de investimento acabaram sendo favorecidas.
As incertezas quanto à dinâmica inflacionária nos Estados Unidos fez com que o FED (Federal Reserve) adotasse uma postura mais conservadora na definição da taxa de juros, que não a alterou até agosto. A instituição promoveu o primeiro corte em setembro, apesar da inflação ainda se encontrar acima da meta estabelecida. Esse corte ocorreu considerando seu duplo mandato (inflação e emprego), com sinais de enfraquecimento do emprego. Os movimentos levaram o alvo da taxa de juros de 4,25%-4,50% para 3,50%-3,75% ao ano. Porém, conforme o final do ano se aproximou, as divisões entre os membros do FED ficaram mais marcadas, amplificadas pela paralização do governo americano e pela pressão sobre a instituição para intensificar a queda, o que aumentou consideravelmente os ruídos no mercado financeiro.
Apesar do cenário mais incerto, as bolsas americanas acabaram sendo impulsionadas ao longo do ano por um crescimento econômico melhor do que as expectativas iniciais. A Nasdaq chegou a cair mais de 20% no início do ano, recuperando-se a partir de maio e terminando o ano com uma valorização de 20,36%. O S&P500 fechou o ano com valorização de 16,39%.
Já o Banco Central Europeu continuou cortando os juros em 2025, levando-o a 2% em junho, encerrando seu ciclo de cortes em resposta à contenção da inflação e a reação adequada do desempenho econômico. A região também conseguiu avançar na coordenação de ações e iniciativas de crescimento, o que favoreceu as economias e impulsionou os investimentos, sem que isso se refletisse negativamente na inflação. Já a China enfrentou desafios ao crescimento, com consumo e investimentos apresentando dificuldades para acelerar. Porém, com a adoção de medidas de estímulo e bom desempenho do setor exportador, a China conseguiu se aproximar da meta de crescimento de 5%.